Crônica Pessoal: A Arte de Cuidar do Outro

Minha mãe escreveu esta pequena crônica, que relata de forma simples, direta e sincera, alguns dos eventos dos últimos meses. Ela foi publicada no Jornal A Tarde em 08/11/2010, p. 3 e no site da Clínica ONCO. Compartilho aqui com vocês.

A ARTE DE CUIDAR DO OUTRO

Tânia Miranda, historiadora, mestre em educação
tmiranda@sec.ba.gov.br

Receber um diagnóstico de câncer no centro da minha família soou como uma sentença de morte. Foi a mais impactante notícia que recebi. Invadida por um sofrimento cuja dimensão imaginei superior à minha capacidade de suportar, nada mais fazia sentido. As palavras de Cazuza não me abandonavam: eu vi a morte, ela estava viva, confessou o poeta quando lutava pra viver. Fui posta à prova.

O instinto de sobrevivência nos obrigou a seguir em frente. Após cirurgia bem- sucedida, era preciso buscar forças para vencer o medo e apostar na vida. Foi na clínica ONCO, escolhida para a quimioterapia, que o caminho foi encontrado. O espaço bem cuidado, o ambiente acolhedor, profissionais de saúde cuidadosos, a clínica surpreendeu. Nada indicava que ali, homens, mulheres, jovens e crianças estavam submetidos a doloroso tratamento, mesmo tendo perdido a expectativa de viver. Ao contrário. Encontramos seres humanos serenos, expressando paz em suas fisionomias.

À frente dessa rara medicina humanizada está o oncologista Roque Andrade. Com ares que nos lembram um monge budista, desconcertante simplicidade, tranqüilidade contagiante, nos recebeu atencioso, inspirando confiança imediata. Diálogo franco, sem nada nos omitir, utilizando vocabulário para leigo, discorreu sobre os avanços da medicina na área, nos confortou, nos injetou otimismo. Categórico, afirmou: a família é o principal suporte emocional e precisa estar bem para bem cuidar do outro. Disfarçando as lágrimas que insistiam em chorar, entendi a mensagem. E nessa interação nos fez voltar “a contemplar as estrelas sem tirar os pés do chão”.

Tratamento finalizando, estamos no processo de superação. A vida volta a sua normalidade. A dor e o medo cedem lugar à autoestima recuperada, a confiança consolidada. A ONCO foi, para nós, uma fonte de força e esperança. Felizmente ainda há médicos que humanizam a medicina e conhecem a arte de cuidar do outro, de cuidar de pessoas, não só da doença.

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