Por que abri mão de um cargo de chefia em uma empresa pública

Após quase 3 anos atuando como Chefe em uma empresa pública brasileira, decidi entregar o cargo e voltar as minhas origens de desenvolvedor. Foi uma decisão difícil em vários aspectos, que gerou consequências boas e ruins, além de algumas surpresas (não necessariamente positivas). Quero compartilhar aqui o que me levou a tomar esta decisão, como foi o processo, suas implicações e o que eu espero para o futuro.

(O texto ficou bem longo, mas pelo menos estou me sentido muito melhor agora por ter falado tudo o que eu precisava!)

O desafio

A realidade era complexa: um grande sistema de workflow legado em ASP, utilizado por quase 50 mil pessoas (3 mil simultâneas), manipulando milhões de Reais por ano, se integrando a sistemas em plataforma baixa, enviando cerca de 300 mil emails/dia e armazenando 8 Gb de dados por semana (todos estes dados são de hoje, pois não medíamos isto naquele tempo). A equipe chegou a ter 18 pessoas. Somando-se outras pessoas envolvidas, tivemos cerca de 25 pessoas nos projetos.

O cenário era complicado: relação desgastada com a Unidade de Negócio, manutenções corretivas contínuas, infinitas demandas de evoluções, atos legais, atrasos constantes, equipe desmotivada, cansada e não reconhecida. O clima era de total falta de perspectiva que alguma coisa pudesse melhorar, e quase todos da equipe tinham como maior objetivo sair do projeto.

A incubência que recebi foi bem direta: mudar este cenário.

Meu objetivo

Desde o início tive como objetivo claro ter a chance de influenciar positivamente mais pessoas. Pode parecer algo idealista, mas desde a época da faculdade e empregos anteriores, este foi um objetivo pessoal que cultivei. O cenário era, inclusive, ideal para isto. É claro que eu tinha outros objetivos pessoais, como me desenvolver profissionalmente, ter sucesso e ser reconhecido por isto.

O princípio do fim

Após 2 anos de trabalho árduo, conseguimos mudar bastante o cenário. Porém, muito suor foi necessário e muito sangue foi derramado. Comecei a perceber sinais de que estes resultados não estavam compensando o investimento. Trabalho excessivo, pouco reconhecimento, problemas recorrentes, impotência sobre algumas coisas… Tudo isto foi acumulando, e pouco a pouco foi minando minha vontade de continuar.

Política

No governo, a política define as prioridades. Ponto. O problema é que muitas vezes as decisões políticas sobrepõem avaliações técnicas. Imagine você dizer que algo não funciona, provar que algo não funciona e ser “obrigado” a fazer diferente. Tempos depois, quando o que foi feito não funcionou, você é cobrado por isto, tem que explicar e se justificar pelos problemas, e, no final, tem que jogar tudo fora e começar do zero. Ruim não é?

Outra coisa que minou minha força foi saber certas “verdades” sobre os bastidores de uma grande empresa. Ver alguém do alto escalão falar inverdades, de forma extremamente convincente, diante de toda a empresa, não é algo com o que eu consigo dormir tranquilo.

Lentidão

Uma empresa pública, com mais de 10 mil funcionários espalhados pelo Brasil, invariavelmente será lenta e burocrática. Processos engessados, cadeia hierárquica extensa, falhas constantes de comunicação… Tudo isto gera um sentimento de “acorrentamento” terrível. Você quer ser produtivo mas a empresa parece não deixar.E o pior é que ela lhe cobra para ser. É muito frustrante.

Síndrome do Funcionário Público

A maioria esmagadora dos que passam em concursos públicos têm o sentimento de “dever cumprido”. Acreditam que chegaram ao ápice da carreira, e que não precisam mais se desenvolver. Para piorar, normalmente as empresas públicas são trampolins para os “concursos melhores”, ou seja, para serem estatutários, com salários maiores. Isto faz com que as pessoas também não se importem com o que fazem, pois provavelmente elas não estarão mais lá em algum momento no futuro. E a “áurea de estabilidade” que existe incentiva ainda mais tudo isto.

Gosto muito de classificar os bons profissionais como “aqueles que se importam com o que fazem”. Infelizmente, a realidade que vivi (e ainda vivo), é de muitas pessoas que estão simplesmente tocando suas vidas, cumprindo sua rotina, batendo o seu ponto: se o projeto der certo, deu. Se não der, não deu. Paciência.

Uma situação que me marcou foi quando comecei a tentar implantar métodos ágeis no projeto. Quando fui investigando os perfis, em busca de pessoas que se identificassem com os princípios do ágil, escutei: “Eu não tenho que gostar disto não. É o processo da empresa. O que ela falar para eu fazer, eu vou fazer”. Quando sugeri a leitura de um material de referência inicial (Scrum Direto das Trincheiras, que eu mesmo imprimi para cada um), ouvi: “Que horas vou fazer isto? Não posso ler em casa, só no horário de trabalho, já que é algo para o trabalho.”

Boas intenções

Esta “cultura do não aprendizado contínuo” atinge a grande maioria. Infelizmente, isto também inclui os chefes. Além de lutar para criar mecanismo para favorecer e incentivar o aprendizado e auto-desenvolvimento da equipe, poucos eram os outros chefes se auto-desenvolvendo. Discussões sem embasamento, pouco conhecimento sobre conceitos e tentativas “aleatórias” para se concretizar ações eram uma constante. Ao menos existia uma genuína boa intenção do corpo gerencial em relação aos problemas. Todos relatavam frustrações e indignações semelhantes, e queriam realmente melhorar o cenário geral: minimizar a Síndrome do Funcionário Público, adotar medidas para “burlar” a burocracia e enfrentar as decisões políticas. Porém, querer é diferente de fazer. Além disto, se você não dá o exemplo, como exigir algo de alguém?

Com o passar do tempo, ações inócuas eram tomadas, todos fingiam que acreditavam que elas iriam funcionar, e a vida continuava. Viver assim por muito tempo, não dá.

Esmagamento

Outra questão extremamente frustrante é que ser a média gerência significa que você é pressionado pelos seus subordinados, e pressionado pela alta gerência. Com isto, você é esmagado, pois não consegue satisfazer nem um nem outro. Por mais que você defenda a equipe, muitos nunca estarão satisfeitos e lhe “culparão” por isto dizendo que “você só defende a empresa”. Ao mesmo tempo, a alta direção lhe cobra por resultados, e lhe diz que “você só defende os empregados”. Para os chefes que se importam com o que fazem, é uma situação muito triste e uma posição muito ruim de se estar.

Meu tempo

Outro fator que meu motivou a entregar o cargo foi o mal uso do meu tempo. Tentar reverter todo este cenário geral e ainda dar conta dos projetos e do cenário local estavam consumindo muito do meu tempo. Eu estava trabalhando tantas horas-extras, envolvido em tantos problemas, que eu não conseguia estudar o que precisava para ter mais condições de resolver os problemas. Era um ciclo vicioso interminável. Além disto, como eu poderia influenciar positivamente pessoas, sem conseguir dar o exemplo?

Somando-se a todas estas coisas, uma certa inquietação vinha me atingindo. Inquietação quanto ao “trabalhar para os outros”, seguir definições com as quais eu não concordava, utilizar 8h ou mais do meu dia para fazer algo que eu não estava curtindo… Esta inquietação me levou a pesquisar sobre empreendedorismo, lean startups, bootstrapping, etc. Na medida em que mais eu entrava no assunto, mais eu entendia o que era esta inquietação e quais eram algumas possíveis soluções para ela.

Experiências

Sempre defendi que as pessoas devem ter a chance de passar por diversas experiências diferentes. Um profissional que passa a vida toda fazendo a mesma coisa, ou desempenhando o mesmo papel, nunca será um profissional experiente. A melhor forma de aprender é praticando, e praticar implica em errar. Faz parte. O problema é que os gestores não querem arcar com os custos do erro, e preferem se manter no mais seguro, mesmo que isto implique em criar profissionais especialistas, ou com pouca visão do todo, ou na carência de substitutos. Sendo assim, meu chefe precisava estar fazendo isto, pelo bem de todos os outros projetos.

Reações

Confesso que fiquei surpreso com algumas reações quando finalmente tomei a decisão. Por exemplo, pessoas que diziam que eu deveria deixar o cargo pois o nível de stress era muito alto, foram contra a minha saída por causa dos motivos. Imagine, sair por estar fisicamente cansado é válido, mas sair por não concordar com os direcionamentos gerenciais e por não me considerar mais “alinhado” com a visão gerencial atual não é válido, por ser um motivo “idealista”.  Ser chamado de imaturo foi a menor das “classificações” que recebi.

Por fim, pessoas que eram supostos colegas de trabalho mais próximos, agora não falam mais comigo. Não tem como não se surpreender…

O presente

Depois de quase 8 anos só trabalhando com gestão de projetos tradicionais, me distanciei bastante da implementação. Com isto, fiquei muiiiiito enferrujado, mas as coisas estão andando bem. Atualmente estou trabalhando no desenvolvimento da re-implementação deste mesmo sistema. Quando ele for implantado, seu volume de uso atual será praticamente duplicadas (irá para 100 mil usuários – 6 mil simultâneos -, 600 mil emails/dia, etc). Estamos fazendo em Java com o framework Demoiselle (JSF e Hibernate) e usando o jBPM com engine de workflow. O projeto está interessante.

Porém, agora tenho tempo para estudar o que realmente quero: Rails, Node.js e Lua (para desenvolvimento de jogos). Estou lendo muitos livros, fazendo coisas legais (como ajudar na realização do evento Maré de Agilidade e ainda este ano do LinguÁgil) e investindo na minha carreira e no meu futuro. Não estou mais estressado, brigando com minha esposa e filho, sem tempo para a família… Não podia estar mais feliz!

O futuro

Para a felicidade pessoal e profissional completa, serei dono do meu próprio negócio, e irei mudar o mundo! O ponto de apoio eu já tenho, agora estou construindo a alavanca

Atualização (05/05/2011)

  • Fiz no texto diversas generalizações, algumas por considerar que “a maioria” é muito significativa, já outras para não expor nomes. Desta forma, meu objetivo não foi realizar uma crítica a todo o serviço público brasileiro. Meu relato reflete a minha vivência, as minhas experiências, as pessoas com as quais convivi, ou seja, o meu ambiente de trabalho. Porém, é claro, existe um senso comum acerca de muito do que falei, em função dos inúmeros relatos parecidos com o meu, que convergem para um reforço à crítica ao serviço público em geral.
  • Trabalhei e trabalho com alguns excelentes colegas e profissionais, dos quais tenho muito orgulho e prazer em trabalhar. São pessoas que têm opiniões semelhantes (não necessariamente todas ou exatamente as mesmas), que, assim como eu, se indignam, que (eventualmente) enfrentam, que (eventualmente) tomam partido, que (eventualmente) não se omitem. Acima de tudo, são pessoas que se importam. Alguns são de empresas públicas, ou estatutários, outros de empresas privadas, e outros são empreendedores.
  • Como o Saulo muito bem pontuou, vários dos elementos sobre os quais falei no texto estão mais ligados a questões de postura e atitude (que independem do tipo de empresa, cargo ou área em que você está), do que a um estereótipo de funcionário/funcionalismo público.
  • Sobre a Cultura da qual falei: ela não se aplica somente ao ambiente público. Ela pode estar em uma empresa/órgão público, empresa privada ou mesmo em uma startup! Novamente, é uma questão de postura das pessoas (que fazem a cultura) somada ao direcionamento da empresa. Porém, se você está em um ambiente em que a cultura é ruim e enraizada (ou seja, difícil de mudar/adaptar/evoluir/direcionar), existem 4 opções: 1) sair da empresa, 2) ser “contaminado”, 3) ser muito persistente e paciente ou 4)  como o Rodrigo advertiu, ter um infarto! 🙂
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67 comentários sobre “Por que abri mão de um cargo de chefia em uma empresa pública

  1. prezado,

    li seu comentario e fico sentido ao saber que nos, servidores publicos, que acreditaram ou ainda acreditam no progresso da maquinaria na qual nos exercemos, sermos excrachados pela politica burocratica institucional e pela velha guarda sugadora vigente em que nao concorda modificar o que esta de bom grado para eles. o que expos nele sao uma das mazelas cancerigenas que existe no funcionalismo publico independente de que orgao e setor que existir. a nivel de brasil, o paternalismo patrimonialista ainda impera com muita forca, o que insuficienta a possibilidade do inovar, do empreender, do avancar, etc. mas, te pergunto: de que adianta desistir por um contexto de realidade propria favorecendo e concordando com essas mazelas que ainda imperam? isso so acabara quando encarar elas de frente e mostrar o conhecimento tacito vasto que tem a praticar. enfim, gostei do post gostei do apelo e que tenha sucesso na sua carreira profissional.

    estamos a luta

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    1. Pois é… esta foi uma das dificultades de tomar a decisão, sobre a qual acabei não falando no post. Fiquei com o sentimento de derrota, de não ter mais aguentado a pressão, de ter desistido de encarar de frente os problemas.

      Mas eu decidi também que não precisava ser chefe para encarar estas coisas. Avaliei que eu poderia continuar tentando influenciar positivamente as pessoas, só que não estando chefe. Dar o exemplo para o colega ao lado, que está imerso na rotina do funcionalismo público, e que sente um certo incômodo com isto, mas não tem a quem recorrer.

      Avalio que continuo lutando, mas em outra frente agora!

      Obrigado pelo comentário. Abraços!

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  2. Velho, li tarde, mas li. Poderia assinar ao final como sendo os meus descontentamentos. Com poucas diferenças. Acabei fazendo o mesmo que você…

    Mas uma coisa (e não deu pra resistir a piada). Se precisar, eu empresto a minha alavanca!!

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  3. A realidade no funcionalismo público é essa, vou concordar porque eu também vivi isso. A administração pública tem muito potencial, isso é claro, mas a disposição pra trabalhar e inovar é sufocada pelo fator politico.

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  4. Fala Rafitas,
    muito interessante o post. Você falou sobre assuntos que vão além do funcionalismo público: Gerenciamento baseado em política, não fazer algo melhor por medo de errar, espíritos acomodados, isso acontece em todo lugar (pelo menos em todos os lugares que passei).

    Concordo com você quando comenta que as pessoas de fato não estão mais se “importando com o que fazem”. Quando isso começa a se tornar cultura da empresa, o problema fica ainda maior. As pessoas fazem a maior confusão com isso, se importar com o que faz, não tem nada ha ver com trabalhar demais, ou ser workaholic, basta ser comprometido dentro do seu horário de trabalho.

    Vivo coisas muito semelhantes com o que você relatou, e as questões políticas serem mais importantes que as técinicas são é o que mais me incomoda. Você explicar para seu superior qual a melhor opção e ser escolhida outra, por razões políticas. E no final ainda se cobrado sobre o que deu errado.

    Outra coisa que tem forte relação com o que você falou é que a importancia do processo (principalmente o gerênciamento de projeto) sobre as questões técnicas. Não estou dizendo que essas coisas não são importantes, so acho que o cronograma e documentação não são mais importantes do que um bom software funcionando (conhece isso de algum lugar) é engraçado ver como algumas pessoas de fatos preferem o manifesto ágil da direita para esquerda.

    Não sei se isso é um fenômeno brasileiro ou se tem uma abrangencia maior, mas a alguns anos atras as pessoas sonhavam terminar a faculdade e se tornarem programadores, depois de um tempo começaram a ser formar analistas, e agora se formam gerentes de projetos, sabem tudo sobre pmbook, pmp, pmi etc, mas seus planejamentos nunca funcionam.

    Apesar de estudar muito sobre arquitetura, e programação, hoje meto muito pouco a mão na massa e sinto muita saudade do tempo que so fazia isso, com certeza penso muito em ter que trocar todas as questões políticas por uma IDE.

    Grande abraço.

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    1. E aí cara! Saudade de vc!

      Pois é, vc falou tudo. A questão não é o funcionalismo público puro e simples, estes problemas acontecem em muitas empresas sim. Só acho que no ambiente público a tendência é que isto ocorra com maior força em função de toda uma cultura já enraizada. De qualquer forma, meu objetivo foi relatar o que passei, e que pelo o que estou vendo, muita gente passa também (felizmente por um lado e infelizmente por outro).

      Abração!

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  5. Fico feliz em ler um post tão bacana como esse, seguir em frente é preciso e muito difícil…
    Mas como disse, já esta mais feliz que antes isso quer dizer que estar seguindo em frente do jeito anterior tem mais haver com ficar preso na engrenagem quebrada publica.

    Muito sucesso!

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  6. Tão familiar, mas TÃO familiar. Só que eu não deixei o cargo, me tiraram do cargo pura e simplesmente.

    Fora isso, não tem absolutamente nenhuma diferença do que eu passei para o que você passou. Enfim, paciência, levantar a cabeça e bola pra frente. Estou em outra empresa agora, mas acho que eventualmente eu vou acabar é tocando projetos pessoais e montar minha própria empresa também.

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  7. Parabéns pela sua decisão. Imagino que tenha sofrido um pouco com a saída, e possivelmente retalhado dentro do ambiente familiar, mas hoje você está feliz e isso é o que importa. Felicidade gera produtividade. Parabéns novamente pela iniciativa. Muito sucesso.

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    1. Valeu cara!

      Pois é, a decisão foi difícil mesmo. Mas não tive problemas com a família não, pois eles já sentiam o quanto eu estava insatisfeito com tudo isto, e perceberam que seria o melhor para mim (e consequentemente para eles também).

      Forte abraço.

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  8. excelente seu post-desabafo (via pelo twitter do fábio akita).

    liderar equipe é uma missão difícil, te exige uma capacidade que não se aprende na escola. também trabalho no serviço público federal e sei quanto é complicado quer mudar uma cultura entre colegas.

    as pessoas de fora do serviço público sempre criticam a burocracia, mas elas não sabem o quanto ela prejudica um projeto, independentemente de ser um software ou não.

    não te conheço, mas endosso totalmente o seu post. não trabalho com desenvolvimento de software no meu trabalho, mas esse seu cenário é adaptável em qualquer setor de qualquer repartição. existe gente querendo fazer as coisas de um jeito diferente, mas sempre há algo te freando.

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    1. Cara, a burocracia e lentidão são muito nocivas mesmo. Concordo com você que muito se critica do estereótipo de funcionário público, mas o Sistema é foda. Muitos entram querendo fazer mudanças, mas são levados para baixo e cansam de continuar tentando.

      Paciência e Persistência são as palavras!

      Abraço!

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  9. Rafael, tomei essa mesma decisao em um cenário parecido.
    Grande problema: ferrugem! Estou me sentindo totalmente desatualizado com o cenário atual de desenvolvimento. Como vc faz pra lidar com o estudo e ao mesmo tempo trabalhar?

    Excelente post.

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  10. Excelente postagem, me animou! Segunda-Feira entro no aviso prévio de uma empresa onde eu era o Gerente de Projetos de TI. Trabalhei nessa empresa durante 3 anos e já estava me sentindo exatamente como você descreveu na sua postagem.

    A partir de agora estou na carreira solo buscando quase as mesmas coisas que você, Sucesso para todos nós!

    Abraço

    Bruno Rocha
    http://zerp.ly/rochacbruno

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  11. É isso aí cara o importante é ser feliz … Como já te disse em outras oportunidades, estou só esperando a vida pessoal dar um tranquilizada pra começar a providenciar a minha “alavanca” também … Só acho que você leva vantagem, pois ainda gosta e se identifica com a área de TI … 😀

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  12. Sem querer generalizar, tenho a esperança que em alguns anos o serviço publico em geral vai dar um salto de qualidade com a saída/aposentadoria do pessoal que já ocupava cargos 5 anos antes de 88, e com isso ganhou a estabilidade no cargo. É claro que muitos “novos” são farinha do mesmo saco e tal, mas já vai ser alguma coisa…

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  13. Tem pessoas que precisam aprender com os próprios erros, vc é uma delas! Cargo de chefia é pra quem quer, acima de tudo, status e grana. Se vc quer “influênciar pessoas” deveria ir para um culto religioso. Se vc tem problemas com a felicidade, comece com as necessidades essenciais do ser humano: alimentação, conforto, prática de esportes, amigos, família, religião, etc… Desenvolver jogos te trará olheiras e ser dono da sua própria empresa te trará dor de cabeça. Boa sorte!

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  14. Tem alguma dica pra quem está 8 anos num projeto na Iplanrio e nao consegue sair de jeito nenhum ?
    Cruzar os braços? Porque pedir para presidentes, gerentes, acessores,…, todos, eu já pedi e não me tiram desse projeto. Estou desmotivadíssimo e sou o uúnico da equipe que não recebeu promoção até hoje.
    Abraço

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  15. Cara… eu trabalho na mesma “empresa pública, com mais de 10 mil funcionários espalhados pelo Brasil” que você… estávamos eu e mais 3 colegas aqui lendo o artigo agora… estamos chorando de rir.
    (ou seria de tristeza e vontade de se matar?)
    Excelente decisão.

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  16. Trabalho numa empresa pública de TI de um grande município. O cenário aqui é bastante similar ao que o colega descreveu. Aqui, além de servir de cabide político (70% não são concursados), ninguém faz nada e gastam o tempo no MSN, Facebook, Orkut, jogando na internet, baixando filmes etc.

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  17. Rafael, muito bom seu texto. Acho que o conteúdo que você transmitiu agiu como uma onda na aparente calma em que atualmente vivemos na Bahia. Ou seja, balançou, e não foi pouco!

    Eu compreendo perfeitamente o que você viveu e digo que você tomou a decisão correta lendo apenas esta frase: “(…) Não estou mais estressado, brigando com minha esposa e filho, sem tempo para a família… Não podia estar mais feliz (…)!”

    Muitas vezes, temos que dar um passo para trás a fim de caminhar dois passos à frente. A sensação de fracasso que você relatou é perfeitamente normal, visto que se resultou de um momento de auto-reflexão. É muito fácil se auto-criticar, já que vivemos em uma sociedade que não pára de criticar aqueles que nela convive.

    Pessoalmente, já parei para refletir o que é ser feliz. É ter dinheiro? É ter poder ? É estar com os amigos? É estar com a família ?

    Não há uma resposta pronta. A única certeza para saber que está no modelo correto de vida é quando se põe a cabeça no travesseiro e apenas dorme. Sem pesadelos e com sonhos bem tranqüilos.

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    1. Muito obrigado cara!

      Este post tomou proporções muito maiores do que eu podia imaginar. Fico contente por esta repercussão, pois demonstra o quanto as pessoas têm se identificado com algumas das situações descritas. Porém, melhor ainda, é o movimento de reflexão e questionamentos que ele tem gerado. Tenho visto pessoas discutirem sobre estes pontos, expondo opiniões quando antes se omitiam, se auto-avaliando… Para mim, isto é totalmente excelente!

      Concordo plenamente com a sua conclusão: o objetivo é ficar tranquilo consigo mesmo, e isto é algo bastante individual. Eu estou em busca da minha forma, e considero estar no caminho certo até o momento. Porém, isto não significa que seja a melhor forma (se é que isto existe) para outros.

      Obrigado novamente!

      Grande abraço!

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  18. mandou bem.

    alguns comentarios a respeito do que vc falou sobre as pessoas, a surpresa de elas nao terem a iniciativa de aprender metodos, etc: é compreensivel, nao?

    é como a maioria das pessoas são. elas já estão dedicando 1/3 de suas vidas. correr atrás de estudar nas horas vagas é coisa de nerd (sem ofensas, só um fato). mas o problema é que rola uma contradição se a empresa exige uma postura “nerd” dos empregados, mas não haje conforme isso, se não tem nenhuma cultura disso, como é em muitas empresas desse tipo. é tb, em grande parte, uma questão cultural.

    além disso, nem todas as pessoas se interessam por ‘processos’, vai do perfil de cada um e é preciso montar uma equipe, idealmente, que saiba combinar suas qualidades.

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  19. Rafael, parabéns pela decisão. Concordo com o Grinaldo. Ocupo hoje um cargo desse, mas não numa empresa pública. Diversas atividades que me faziam feliz, hoje já não tenho mais “tempo” para realizar. Leituras, estudos e lazer… Meu tempo de permanência ao lado da família não tem tido a qualidade que gostaria de ter. Orgulho de você. Em breve terei orgulho de mim mesmo…rs

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    1. Obrigado cara!

      Concordo bastante com o que vc colocou em seu post. Conforme respondi para o Diego, considero que eu apenas mudei de “frente” de batalha. Como vc diz, “participar, acompanhar, cobrar (…) para as coisas não serem ainda piores”. Estas são algumas das ações desta luta e trabalho de base. Inclusive, o meu post, o seu post, os comentários de todos, e as discussões que estão sendo geradas, fazem parte também destas ações.

      Um ponto sobre o qual sou mais radical é com relação a burocracia e politicagem. Quando falo burocracia, estou falando de procedimentos desnecessários, que poderiam ser retirados ou adaptados, sem perdas para o processo como um todo. Já sobre politicagem, falo de ações/decisões/interferências, de cunho exclusivamente político que, apesar de terem algum objetivo maior, acabam por atrapalhar ou inviabilizar a realização adequada (qualidade, custo, prazo, etc) do trabalho. Considero que estão são sim coisas erradas, e que precisam ser combatidas. Como vc mesmo diz, sem virar as costas, independentemente do cargo em que esteja.

      Porém, conforme o Leonardo e o Saulo bem falaram, estas são coisas intrínsecas ao ser humano (ou “do Brasil” como vc fala), e que mesmo com toda uma boa vontade e interesse que possa existir, o ambiente difícil “contamina” as pessoas e fazem com que elas cansem de continuar tentando.

      Paciência e persistência são fundamentais…

      Grande abraço!

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  20. Vou deixar meu depoimento de quem trabalha há 11 anos concursado, passando por empresas e órgão do governo e dentro e fora da área de TI. Vou fazer isso porque vocÊ traz preocupações fortes e justificáveis, mas algumas afirmações não são muito apropriadas talvez pela natureza de desabafo e casuística do relato. Aviso logo que a maioria não vai gostar do que vou dizer.

    Antes de tudo eu acredito na busca pela felicidade. Desistir de um cargo jamais será um passo para trás – ter menos dinheiro não é retrocesso enquanto ainda tiver o suficiente. Então, se estiver mais feliz, esteja certo que fez o que devia.

    Agora, o papel de advogado do diabo… rs. Passei alguns anos na área bancária e lá percebi que, diferente da área de TI, existem pessoas com atitude de gerente. Pessoas que assumem riscos, peitam desvios de conformidade e tomam decisões com convicção e aceitação de possível fracasso (e as consequências que ele acarreta). Esse gerente sofre também pressões dos subordinados e da chefia – é inerente ao cargo e sua competência é medida pela forma como ela lida com essas situações. Suas decisões se fundamentam na análise o mais objetiva possível de valor (tangível e intangível) – e estudam constrantemente como qualquer outro que queira continuar vivo no mercado… Veja que estou falando de uma empresa pública! Ora, lá o gerente ganha mais justamente para essas coisas. Ao contrário, na área de TI temos gerentes sem alçada decisória, pessoas que querem ter o ônus sem o bônus… vou explicar…

    Quantas vezes gerentes de projetos vieram a mim para justificar inutilmente um bypass pela engenharia de requisitos? Inúmeras! Todas as vezes eu falei a mesma coisa: “se espera que eu concorde, não posso… mas acho que você, na qualidade de gerente, tem todo o direito de optar por isso, se tiver convicção”. E todas as vezes eu vi o mesmo resultado: lamúria e requisitos extremamente mal-feitos “para inglês ver”. O gerente abdicou de sua prerrogativa porque é mais cômodo não se indispor e colocar sua comissão em risco.

    Da mesma forma, jamais (talvez com exagero, mas realmente não recordo) vi um gerente de projetos abonar uma ausência de um subordinado, por mais valor que lhe atribuísse.

    Compreendo perfeitamente as motivações para esse “bandeamento para o lado da empresa”, mas acho absurdo (tanto quando acho para o lado dos subordinados) que ele não assuma sua responsabilidade como gerente e tome cada decisão baseada em suas convicções de geração de valor. Ceder a pressões de um lado ou de outro indistintamente é nocivo, pois o gerente torna-se vítima, naufragando ao bel prazer das decisões de outro, quando ele deveria ser o condutor das atividades que são de sua responsabilidade. Daí vem a insegurança, a angústia por ter sempre “um lado” insatisfeito, o sentido de impotência.

    Pelos exemplos, fica muito clara a presença da política. O gerente na área de TI (pelo menos no desenvolvimento) luta pela manutenção de seu status e dinheiro em detrimento do resultado que ele gera. E resultado no sentido amplo, podendo inclusive abranger o conceito utilitarista de felicidade.

    Mas esse é só um aspecto do discurso… vamos ao serviço público.

    Em primeiro ligar, o conceito difundido que burocracia atrapalha é um erro crasso. Felizmente li um comentário seu deixando claro que referia-se a uma parte dos processos (os inúteis). A avaliação correta da burocracia – melhor dizendo, da utilidade de processos – é o grau de controle necessário para a organização. Por exemplo, tomemos (lá ele) a Engenharia de Requisitos e suas atividade hoje tidas como inúteis. Ora, claro que se a equipe (incluindo eventuais futuros entrantes) jamais for ler ou consultar a documentação, ela será inútil, mas isso não significa dizer que o processo é inútil “latu sensu”. Essa é a grande imbecilidade (desculpem o termo) que tenho escutado na área – o julgamento de processos e métodos sem contextualização. Sob o ponto de visto de continuidade e gestão do conhecimento organizacional, eu defendo a Engenharia de Requisitos – mas deve ser feita de uma maneira inteligente e utilizada de maneira apropriada. Isso não impede, porém, que eu admita que em determinados contextos outra solução possa ser aplicada.

    Saindo da ladainha de requisitos e avaliação de processos, caímos no problema da síndrome… de que funcionário público não quer nada. Pera lá… vamos entender uma coisa antes. Empregado público (CLT) pode SIM ser demitido – se não me engano (só pesquisando para ver se minha memória está correta) com três avaliações semestrais negativas consecutivas a pessoa está “apta” a ser mandada embora. Por que isso não acontece? Porque o gerente não quer tomar a decisão. No smarana.wordpress.com (em “Aprendizado: Cultura Basta?”) eu falo sobre o peso disso na mudança de cultura.

    Por fim, para trabalhar no serviço público, você tem que compreender algumas coisas: o tempo da empresa não é o seu tempo (quem tem vontade geralmente se frustra muito por conta disso), as decisões da empresa não são suas decisões (aí o que Saulo comentou é importante, mas deixar registrado seu posicionamento é de fundamental importância no momento em que for cobrado por algo que fugiu à sua alçada) e é preciso perseverar na venda de uma ideia. Ainda vou escrever melhor sobre esses fundamentos no Smarana, já tomei muito espaço aqui. Se você não incorporar isso, há dois desfechos possíveis: infarto ou pedido de exoneração.

    Boa sorte e continue na busca incessante pela felicidade.

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    1. Só pude revisar agora… Em tempo: ter o bônus sem o ônus.

      Esqueci de fazer o meu desabafo também… ainda hoje eu fico incomodado com a forma que decisões são tomadas e embasadas, com a dificuldade em fazer uma proposta caminhar para uma decisão (favorável ou não) e com a desvalorização da pessoa. Como pode ver, ainda não consegui, em 11 anos, internalizar completamente a compreensão para trabalhar no serviço público.

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    2. Não posso falar pelos outros, mas pessoalmente gostei muito da sua contribuição! 🙂

      Sobre o aspecto Gerentes x Pressões x Convicções x Postura:
      Conforme acabei de colocar na atualização do post, tive/tenho a oportunidade de trabalhar com alguns gerentes que realmente se importam, que tomam decisões e assumem as consequências. Inclusive (para você ver como são as diferentes realidades), que já realizaram o abono de ausências de subordinados que mereciam (eu fui um deles e não fui o único). E olha que são de TI! 🙂 Sendo assim, concordo que muitos preferem manter o status e não se indispor, mas não são todos (provavelmente vc também concorda com isto, e foi apenas uma generalização assim como a que fiz no post! rsrs).

      Sobre o aspecto da Síndrome:
      Também na atualização, deixei claro que apesar da generalização que fiz, existem exceções e diferentes realidades. Dito isto, você está certo quanto a Lei, porém, a expressão “áurea de estabilidade” que usei reflete inúmeras questões culturais, procedimentais e judiciais acerca da demissão no ambiente público, que tornam o processo muito difícil de ocorrer (mesmo que algum gerente queira assumir as consequências desta decisão – já tomei conhecimento de algumas tentativas, sem sucesso).

      Sobre o aspecto do que é trabalhar no serviço público:
      O que defendo é que o fato de ser um serviço público (ou uma grande empresa privada), não deve implicar em lentidão, e cabe a todos (principalmente os gestores) combater isto. Por isto discordo que devemos “compreender” isto. Sobre as decisões, defendo que as decisões técnicas devem ser SIM dos gestores responsáveis (ou melhor, dos times responsáveis), uma vez que são eles os maiores conhecedores de como realizar aquele projeto. Além disto, defendo que decisões estratégicas devem SIM ser re-avaliadas pela alta direção, com base no embasamento dado pelo time técnico (isto é até óbvio, mas infelizmente pouco praticado). Já sobre o registro dos posicionamentos, em todas as minhas experiências em que eles seriam necessários (e olha que foram inúmeras), eles não serviram para absolutamente NADA (ou melhor, serviram para desperdiçar energia e tempo). Enormes emails de posicionamento, históricos do projeto, etc: eram simplesmente ignorados ou eram lidos e se falava “ok, infelizmente isto ocorreu, então vamos discutir o que fazer agora”. Algum tempo depois, a história se repetia.

      Sendo assim, para mim, “compreender” é quase o mesmo que aceitar, e aceitar implica em muitas vezes se omitir e parar de perseverar. Agora, se você disser que “compreender” é ser paciente, e não se “contaminar”… aí estamos de acordo! 🙂

      Grande abraço, e obrigado pelas ótimas considerações!

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      1. Sobre a lei, todos se espantavam quando eu dizia que era possível… ninguém procurou saber de fato dessa possibilidade. E pouco vi ser feito nesse sentido – você conta nos dedos as avaliações negativas, mesmo quando sabe a opinião geral [ruim] sobre o trabalho da pessoa.

        Eu percebo que as pessoas querem ignorar formalismos por achar que é perda de tempo. Daí um problema crítico surge quando uma decisão da equipe contrária à orientação da organização surge – a maioria esmagadora não produz uma justificativa rica e forte sobre a decisão tomada. A maioria orbita no âmbito do “eu acho” ou “em tal lugar funcionou”… É natural que a organização se blinde contra invencionismo (o que não quer dizer ir contra a criatividade), evitando prejuízos de gestão de riscos mal ou não realizadas (por sinal, tá aí outro ponto que só vejo o pessoal fazer “por fazer”).

        Vou exemplificar para facilitar a compreensão. Em dada situação, contra a determinação da mesma organização de se usar uma ferramenta de GED (só nos interessava a parte de workflow), a equipe fez uma avaliação de ferramentas. Nesse momento inicial, dois colegas estavam fazendo testes e chegaram a uma conclusão, mas não havia solidez na justificativa formalizada. Eu passei a integrar esse grupo simplesmente para dar forma à avaliação, tornando-a mais objetiva, com análise valorada de critérios, justificando porque iríamos abandonar a determinação da empresa. Essa justificativa foi aprovada pela empresa e pela diretoria de TI do cliente. Foi perda de tempo? Claro que não! Foi investimento bem feito para garantir que nossa decisão estava no caminho certo e que todas as partes entendiam a mesma coisa.

        Compreender não é aceitar. É saber como as coisas funcionam para se preservar e poder trabalhar da melhor forma possível, sem se violentar. Há dois anos eu tenho um processo modelado e proposto para uso na regional. Aguardo momentos oportunos para lembrá-lo à diretoria, mas sei que vai ser difícil de ser implantado – a área-fim não tem processos definidos! Mas nem por isso vou ficar “amofinado”… trabalho num esquema de maturidade 0, mas reporto todos os problemas e, quando vem a crítica, eu busco o relato em que eu alertava e, no máximo, as pessoas torcem a cara… mas aí o problema e o sofrimento é delas, não meu.

        O povo da nossa área pega a máxima “foco na solução” e distorce. Focar na solução não significa ignorar a origem ou os alertas, não é agir no achismo e depois ficar correndo atrás do rabo para resolver a besteira que fez… provavelmente é o que você passou.

        Infelizmente, a percepção que eu tenho é a de que a gerência em desenvolvimento de software (que não se resume a estudar ciclo de vida) é infantil e amadora… um estágio em área onde gerência é uma disciplina mais consolidada traria uma visão importantíssima para a maturidade. Não estou criticando você… estou generalizando. Não tem como não generalizar. 🙂

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  21. Foi legal saber que isto também acontece no Brasil, apesar de já suspeitar. Depois de 3 anos como líder de desenvolvimento em um dos principais “braços” do governo municipal eu passo todo dia pela mesma angústia. Em um site com mais de 10 milhões de acessos mês as coisas só não andam mais devagar porque não tem jeito, e os chefes é claro só querem tudo pronto não importa como. Tivemos que aplicar CI, TDD e etc mesmo depois de pedidos para não ser feito.

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  22. De que vale a vida se não procurar ser feliz?
    O que levamos dela é o que construimos no nosso ser.
    A busca é essa Rafa… qualidade de vida, harmonia, realizações, amor…
    Bj.

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  23. Opa, muito bom!
    Assim como a maioria dos demais .. vivi parte do relatado .. mas, não tive tanta paciência assim, saí do setor de TI com 1 ano e 1 mês, para me dedicar mais a mim (concluir a facu e direcionar meus esforços a algo meu, por assim dizer).

    Apesar de não ter o cargo de chefia .. sou o tipo de pessoa que influencia o ambiente de trabalho, busca melhorar, motivar, aumentar a produtividade, e se preocupa com quem está do lado.

    O ambiente era até tranquilo, uma 7 pessoas, contando com o chefe. Mas, nada era a favor.

    Dos “7”, era o único servidor, todos os demais eram terceirizados. Mas ninguém estava preocupado com nada. Por incrível que pareça .. o único servidor público do setor era o que queria que as coisas melhorassem.

    Até que, para curto tempo que passei lá, deu para ter bons resultados. Algumas práticas e ferramentas mudaram .. mas, não por que eram boas .. mas por que eu provei que eram e não acharam buraco para botar a cabeça. Agora não tinha mais jeito, temos de mudar.

    Tirando a parte técnica .. não tinha muito para onde ir. Nem existiam cargos para servidores, estava no setor de penetra. Ganhando menos do que ganhava antes, e assumindo o papel daqueles que deveriam liderar.

    Sem falar que me sentia constrangido pelo constrangimento alheio. Não entendo como os caras podiam ganhar mal, salário atrasar por vários meses, e eles persistirem lá por falta de perspectiva. Se acomodaram naquele fingir que trabalha.

    Ainda estou no serviço público .. mas perder alguns benefícios e 5 anos de trabalho não é algo que assusta. Quero sair esse ano, assim que completar algumas fases, para poder me dedicar ainda mais àquilo que projetei.

    Pelo que vi dos terceirizados .. em empresa particular não mudaria muita coisa .. mas vamos ver se .. como chefe mor .. consigo atrair outros como eu.

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    1. Pois é cara, a situação é difícil mesmo. Mas tenho muita esperança. Depois de pouco mais de 1 ano do relatado, estamos vivenciando mudanas expressivas na cultura daqui, especificamente no projeto em que estou atuando.

      Paciência e persistência, que as coisas melhoram!

      Abraço,

      Rafael

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  24. Parabéns pela atitude, afinal queremos e devemos ser felizes, se a atitude tomada te fez e faz feliz é o que importa. Fiquei muito espantada com tanta tortura, parece um filme de terror. Excelente decisão.

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  25. Rafael, fiz o mesmo, na mesma empresa. Situações bem semelhantes, motivos bem semelhantes e nova fase na vida parecida também. Só não fiz um blog e agora nem preciso mais (citarei esse). Parabéns!

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    1. Putz, não sei se fico triste (por vc ter passado por isso também) ou feliz (por você ter tomado a decisão que acha certa!) 🙂

      Obrigado mesmo pela visita e por compartilhar sua experiência! 🙂

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  26. Show cara! Parabéns!
    Sinto-me no mesmo barco, mas eu trabalho no setor privado, em uma empresa pequena :/
    E pior (admito): estou contaminado pelo ambiente…

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  27. Rafa, sou mais um que compartilha de todos esses seus sentimentos. Tenho vivido momentos de plena desilusão e desânimo tb por situações parecidas. Principalmente sobre aquela parte das inverdades vindas de cima que temos que ouvir. Cansei de tentar fazer sempre o certo e o melhor enquanto os mais afetados e principais interessados não estão nem aí. Também voltei a ser desenvolvedor unicamente e recuperei não só a paz, mas tb um tanto de dignidade!
    No mais, parabéns pela coragem da atitude e do registro, pela qualidade do texto (que já lhe é peculiar) e pela conquista.
    Grande abraço.

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  28. è sempre a mesma lenga lenga: todos os que defendem que são apenas técnicos, que nada tem a ver com política, são os primeiros a se pendurarem em cargos de chefia. Adoram reuniões com diretores e executivos, vivem enfurnados nos escritórios apertando os subordinados e nunca fazem greve. Mas se você falar em outro cargo com uma gorjeta melhor (ou seri a esmola?), n]ao pensam duas vezes: perdem até o sono pensando em como conseguir o cargo. E ainda dizem que não são políticos, são apenas técnicos. Caras de pau!

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  29. Achei por acaso seu texto pesquisando sobre o tema “desistir de um cargo público” e me identifiquei muito com o que eu li, eu penso nisso todos os dias, eu tô estudando pra concursos, mas volta e meia tenho alguns questionamentos, a administração púbica tem suas vantagens, mas também desvantagens que desestimulam bastante. Acho que sou do tipo que não aguenta a dinâmica burocrática e formalista do administração pública só pelo motor financeiro; foi bom ler este texto, nos traz referência, nos tira um pouco de medo de olhar pra outras possibilidades.

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    1. Que bom cara! Fico muito feliz em ver um relato como o seu.

      Hoje, 1 ano e meio depois, estou muito certo que foi a melhor coisa que fiz. Conseguimos fazer coisas fantásticas aqui, sem precisar ser um chefe ou coisa do tipo.

      E estou firme e forte no projeto de abrir minha própria empresa… 🙂

      Forte abraço!

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