Este ano pude ir novamente ao Agile Brazil e só digo uma coisa:

Se você não foi, perdeu a oportunidade de tomar a red pill.

Mas, assim como em Matrix, para encontrar a chave que destranca a sua mente você precisa primeiro investigar, cavar, fuçar o ambiente a sua volta e ligar alguns pontos na sua cabeça. Você não vai simplesmente na farmácia, compra e toma. Você tem que encontrá-la por sí só. Mas, principalmente, merecê-la.

Ano passado eu também fui ao Agile Brazil. Eu ia, inclusive, palestrar sobre o nosso case de ágil e mudança de cultura no governo. Porém, tive que voltar para Salvador no meio da Virada Ágil pois meu pai faleceu naquela semana. Sendo assim, só neste ano pude efetivamente participar de todo o evento.

O Agile Brazil 2013 foi simplesmente gigante. Foram 1000 pessoas, num espaço de dois andares, 6 trilhas simultâneas, um grande pavilhão de patrocinadores e muita gente. Muita gente mesmo. Eu já falei que foi muita gente, não falei? 🙂

Acontece que este foi, para mim, o principal problema do evento: o gigantismo. Um evento gigante, como qualquer Sistema de grandes proporções, sofre com diversos efeitos colaterais negativos. Porém, avaliando em retrospecto, este gigantismo se tornou, para mim, o principal motivo de eu ter gostado tanto de ter ido.

Os Efeitos Colaterais do Gigantismo

Como o evento foi muito grande, eu acabei me perdendo dos grupos de amigos com os quais eu fui. Eu simplesmente não encontrava a minha galera. E me senti meio mal com isso. Fiquei inicialmente com aquele sentimento de estar deslocado. Ao mesmo tempo, eram tantas palestras acontecendo, e uma agenda tão apertada de apresentações em sequência, que não sobrava tempo para discussões, que é o que mais gosto. Muitas vezes só sobravam poucos minutos para uma ou duas perguntas, que eram respondidas da maneira que o tempo disponível permitia. Ou seja, faltava tranquilidade para aprofundarmos os assuntos apresentados. Tranquilidade necessária para cultivarmos as discussões que emergiam daquele momento. Por exemplo, no coffee, tinha tanta gente, mas tanta gente, que não dava para fazer isso. Na verdade, você tinha sorte quando encontrava um palestrante ou uma pessoa que perguntou algo numa das palestras. Então, aquela boa parte do evento, que é a de trocar experiências, dialogar com pessoas e interagir em torno de um assunto, não estava rolando para mim.

Descobrindo o #IntraAgileBR em 2011

Eu comecei a descobrir o evento dentro do evento quando fui ao Agile Brazil 2011, em Fortaleza. Eu fui, como muitos, para assistir todas as palestras. Não interagi com muita gente. Porém, nos cooffees, pude conversar rapidamente com algumas pessoas, como o @nukdf e uma galera na @IntactoSoftware. Pude observar a dinâmica que rolava fora das palestras que, para mim, ainda não fazia muito sentido:

Pagar para ir a um evento e não assistir todas as palestras pelas quais paguei??

Mas, no último dia de evento, participei do primeiro openspace do Startup Brasil, iniciado pelo @jbernab e foi d-u-k-a-r-a-l-h-o!!

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Agile Brazil 2011 – Openspace sobre startup

Também fui no #HoraExtra a noite e, a partir daí, a ficha começou a cair. Os pontos começaram a aparecer para serem ligados. De lá para cá, fui a outros eventos, continuei organizando o LinguÁgil e interagindo cada vez com mais gente. Eu estava cada vez mais próximo…

O #IntraAgileBR 2013

Voltando a 2013, enquanto andava pelohall do evento, me lamentando por não estar curtindo tanto quanto eu achava que curtiria, acabei encontrado o @henriquebastos e uma galera da @helabs@smergulhao, @rafaelp e @rodrigoospinto. Alguns que eu só conhecia por twitter. A partir daí, foram várias “conspirações” que rolaram durante o evento!

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Agile Brazil 2013 – “Estande” da Conspiração no #IntraAgileBR

No #IntraAgileBR nós conversamos sobre N coisas: agilidade, empreendedorismo, métodos ágeis específicos, técnicas de programação, filosofia, teoria da relatividade, religião, existência de Deus, propósito, profissionalismo, comunidades, etc, etc, etc, etc. Os assuntos simplesmente surgem, de forma caótica mesmo. E isso é fantástico! Você pode aprofundar inúmeros assuntos, de forma que nunca faria dentro de uma palestra!

Eu assisti diversas palestras no Agile Brazil 2013, e a organização do evento foi excepcional ao reunir os slides de todas as apresentações. Todos os eventos deferiam fazer o mesmo! Algumas das palestras que vi foram simplesmente fantásticas. Foram extremamente importantes para eu me sentir, por exemplo, mais motivado a realizar grandes coisas. Outras foram incrivelmente úteis para aplicação imediata no meu trabalho. Porém, tudo que discuti e presenciei no #IntraAgileBR foi o complemento perfeito. Me fez abrir a mente de uma maneira importantíssima. De uma maneira única.

O que realmente importou no Agile Brazil 2013: as pessoas e interações que tive!

Diferente do que normalmente se faz ao resumir um ótimo evento, assim como fiz com o Dev In Rio 2010, não vou listar as excelente palestras que vi ou workshops que participei. O @andrefaria fez um ótimo trabalho resumindo as que ele assistiu e ministrou. O @jorge_audy também fez um review bastante detalhado dos 3 dias. Assim como várias outras pessoas. Definitivamente eu não faria um trabalho tão bom quanto eles!

Sendo assim, vou listar as pessoas incríveis que conheci e re-encontrei, e resumir as interações que tive com elas:

  • Re-encontrei uma amiga da época de faculdade e estágio, a @prifigueredo, e descobri que ela está na Globo.com.  Conheci vários detalhes da cultura e práticas de lá, me fazendo admirar ainda mais esta empresa;
  • Conheci o @brunont, e pude conversar bastante sobre a história fantástica dele + Sizify + Governo. O cara é muito gente boa;
  • Bati um papo excelente com duas pessoas do INPI (infelizmente não consegui registrar os nomes), e pude entender os problemas pelos quais eles passam como contratantes da empresa na qual trabalho, o SERPRO;
  • Conheci pessoalmente o @rodrigoospinto e, além de confirmar como ele é um cara duka, descobri que ele já trabalhou com amigos meus de Salvador. O mundo é muito pequeno mesmo!
  • Conheci pessoalmente o @rafaelp e, junto com o @smergulhao (que havia conhecido no AgileBR 2011), pudemos conversar bastante sobre negócios, empreededorismo e como eles querem avassalar o mundo com a @helabs. Porém, os papos sobre profissão e carreira foram especialmente engrandecedores;
  • Conheci o @claviustales, e pude conhecer alguns dos desafios que ele tem na Fortes;
  • Conheci pessoalmente o @dwildt e vi como ele é um cara ultra zen, mesmo tocando inúmeras iniciativas e empresas;
  • Conheci pessoalmente o @NielsPflaeging. Foi fantástico poder conversar cara a cara com um dos autores que cito em minhas palestras e treinamentos sobre Gestão Moderna. Surpreendentemente, discordei de algumas de suas colocações no nosso bate-papo. Foi especialmente interessante isso;
  • Conversei bastante com o @henriquebastos sobre uma série de coisas, que foram extremamente engrandecedoras. Pude também conhecer mais detalhes sobre o incrível formato de empresa em rede que ele está experimentando há algum tempo;
  • Conversei rapidamente com o @giovannibassi e tirei algumas duvidas sobre o formato de gestão democrática que eles implementam na Lambda3 como, por exemplo, da relação entre a imagem da empresa x imagem dos funcionários. Foi muito legal ver ele e o @henriquebastos conversando sobre as suas experiências e “formatos democráticos”;
  • Conheci pessoalmente o @thiagoghisi e, numa conversa rápida, pude conhecer alguns detalhes de como funciona da ThoughtWorks. Tive a honra de palestrar no Café Ágil da TW que rolou no final do ano passado aqui em Salvador. Realmente é uma empresa que admiro muito;
  • Conheci o @flavioalves e pudemos conversar bastante sobre startups. A história dele com o trip2gether é muito interessante. Startups são uma montanha russa mesmo;
  • Conheci pessoalmente o @freire_da_silva. Acompanho o seu trabalho desde o AgileBR 2011 e sua serenidade é realmente inspiradora;

Bem, este foi o meu resumo. Rolaram várias outras interações. Elas foram dinâmicas, emergentes e caóticas! Ou seja, não poderiam ter sido melhores!

A mensagem que deixo aqui é:

No próximo evento que você for, não assista todas as palestras. Fique no hall. Procure pessoas. Conheça pessoas. Aprofunde conhecimentos. I-n-t-e-r-a-j-a!

E, para o excelente time de organização do Agile Brazil, repasso a sugestão do @rodrigoospinto: deveria existir um tipo de inscrição para quem quer apenas ficar na conspiração! 😉

Até o ano que vem!

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4 comentários sobre “O que encontrei no Agile Brazil 2013: o #IntraAgileBR

  1. Como sempre acho seus textos maravilhosos. Esse, então, me fez perguntar: Por que não fui com você? Sinto uma inveja boa dos eventos que você participa. Faz bastante tempo que não participo dos eventos da minha área, Letras. Eles sempre foram e são tradicionais e chatos. Parece que estamos todos no evento com um único propósito, apresentar trabalhos para cumprir as metas estabelecidas pelo MEC e, mesmo com todo esse esforço, a educação do nosso país não melhora. (Bom… pelo menos esse é o meu propósito. Decidi ser professora porque queria melhorar a vida dos meus alunos e da minha sociedade). Talvez tenha chegado a hora de começarmos a fazer “eventos dentro do evento”, criar o nosso Hora Extra, por exemplo. Talvez esse seja um dos caminhos para melhorar o cenário da educação. Os professores precisam pensar diferente e ensinar os alunos a pensarem diferente. Tento fazer isso em todas as minhas aulas. Os meus alunos brincam dizendo que gosto de dar “nó” na cabeça deles. Ainda é pouco. Tenho orgulho de estar próxima à pessoas que já fazem isso. Parabéns!!!

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  2. É rapá,

    Se evento fosse só palestra, bastava ficar assistindo as gravações né?
    Tudo que acontece “permeando” o evento é que agrega mais. O Agile Brazil pra mim é um evento ímpar. Um dos poucos que valem a pena o meu deslocamento e esforço.
    Foi um extremo prazer conhecer você em Fortaleza e que venha Floripa =]

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  3. Realmente acho que isso rola muito em eventos como o FISL e o Agile Brazil. E foi muito show nesse Agile Brazil 2013.
    Acredito que esse contato tem um espaço tao importante quanto as palestras.

    Eu também acho que poderiamos ter um espaço maior de debate dentro das palestras. É interessante poder discutir o assunto logo depois do conteúdo.

    Um abraço

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